"Há tantos anos me perdi de vista que hesito em procurar me encontrar. Estou com medo de começar. Existir me dá às vezes tal taquicardia. Eu tenho tanto medo de ser eu. Sou tão perigoso. Me deram um nome e me alienaram de mim." - Clarice Lispector.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

"Você é um malvado, Sr. Grinch!"

Perdi a "magia do Natal" há muito tempo, e acho que dificilmente eu recuperarei. Não que a noite de  Natal tenha sido de todo perdida, mas é que me faz falta aquele sentimento que tinha quando era criança, aquele sentimento de que o menino Jesus vai nascer e trazer consigo presentes pra todas as crianças, porque o menino Jesus é um menino bom, então, obviamente, ele trará presentes pra todos, e é isso que acontece. Sinto falta desse sentimento deveras natalino.
Muitas pessoas dizem que Natal é mais um feriado inútil pra se vender mais, acham hipocrisia e coisas do tipo. Não que não seja um pouco de hipocrisia, mas acho que só é pra quem não sente realmente esse sentimento bom que deveríamos ter no Natal.
Outras pessoas supervalorizam o Natal, como se fosse o único feriado que valesse a pena. Eu entendo essas pessoas, normalmente são as que não veem os parentes já há muito tempo, e eu compreendo que no fim de ano, quando todos estão de férias, seja o momento perfeito pra celebrar juntos, conviver, amar uns aos outros, etc.
Mas pra mim, sinceramente, o Natal tem sido somente um momento de reunião de pessoas, reunião de certas pessoas que querem falar sobre outras pessoas. O que deveria ser um momento de união se torna um momento de fofoca, e é esse tipo de coisa que eu odeio. 
Não gostaria, mas sinto que estou começando a odiar o Natal, e por isso coloquei a foto do Grinch, que também odiava o Natal... Mas o Grinch conseguiu criar dentro de si o espírito natalino. Eu não acredito que eu conseguiria reavivá-lo.
Mas, como o dia de hoje é um dia de celebração pra maioria, feliz Natal a todos. E que a emoção desse dia em seus corações nunca se desfaça. É difícil refazê-la.

~*~

Música:
"You're a mean one, Mr. Grinch!", versão original de 1966.
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segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Viki - o nascimento.

Quando se tem que passar de um cômodo claro a outro desprovido de luz à noite, enquanto todos dormem,, é preciso que você entre nesse cômodo e fique lá. É preciso se acostumar à falta de iluminação do local, aprender a enxergar o que de cara não era visível. Depois de um certo tempo olhando, as pupilas se dilatam e é possível enxergar um pouco mais naquela escuridão toda. É possível ver formas, contornos, alguns objetos que você pensava não estarem iluminados por luz alguma, mas que você descobriu que refletem um pouco a luz do cômodo iluminado.
Você, enfim, se acostuma à escuridão. Aprende a caminhar nela e consegue pegar exatamente o que queria, o que estava procurando - aquele copo perto do bebedouro, param matar sua sede habitual das 2h da manhã.
Depois de se saciar, você percebe que a volta é difícil. Tem medo de ser cegado pela luz que emana do cômodo ao lado. Sabe que precisa sair dali, mas não quer. Oras, já se acostumou ao novo ambiente, por que correr o risco de cegar a si mesmo só para voltar ao lugar de onde veio? Isso seria burrice. 
O caminho feito até aqui foi esse. Não vou sair daqui. Pelo menos até que a luz tome conta de ambos os cômodos com o nascer do sol. Foi assim que de uma detetive fanática pela justiça eu me tornei quem sou: Viki.
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domingo, 28 de outubro de 2012

Faltas



Sinto falta de quem eu não sou
Sinto falta de quem eu poderia ser,
De quem um dia poderia me tornar
Sinto falta de mim

Afinal, quem sou eu? Por um acaso existo?
De que matéria sou feito?
Da mesma matéria que o tédio é feito
Mesma matéria que o esquecimento, o descaso e a infâmia são feitas

Poderia ser diferente? Sim, é claro...
Mas não deixaria de ser quem sou
Jamais deixaria
Pode-se mudar o rumo de um rio, 
Mas sua nascente não mudará nunca

Sinto falta do tempo que eu não tive
Sinto falta das coisas que eu não fiz
Sinto falta de tudo que não vi
Sinto falta da pessoa que eu não sou, mas poderia ser
Sinto falta da minha existência
Sinto falta, enfim... de muita coisa.

Mas com certeza, a pior falta que sinto
Que me arrasta para o fundo,
Que se alastra pelo meu ser
É a mais intensa e profunda
Falta de mim.

~*~
Música:
"Notion" - Kings of Leon.
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domingo, 21 de outubro de 2012

Tentativas

"Try to find the light inside yourself. Be good to the others, be patient, sympathetic, calm, and more than anything else, be natural!"

Foi tentando ser calma que ela enlouqueceu. Não sei, às vezes precisamos surtar um pouco para perceber o quanto somos reles pessoas. Reles seres de vida curta e mortal. E também para pararmos de pensar que somos o centro das atenções, ou as pessoas mais importantes da Terra. Há milhões que dariam tudo para estar em nosso lugar, não é assim? É, talvez...
Tentando ser boa com os outros que ela passou a pensar em si mesma, a refletir o porque de ajudar tais pessoas ou não. Será mesmo que certas pessoas querem ajuda? Será que elas estão prontas para pedir? Ou recebê-la? Será que ela queria ser boa para os outros? Não é possível se saber ao certo. Nunca será.
Foi tentando ser paciente e simpática que ela perdeu o controle de si, de suas ações, compulsões, percepções e distorções. Enfim, o real controle de si.
Foi tentando ser natural que ela conseguiu até demais e, com isso, machucou as pessoas ao seu redor. Foi sendo natural que naturalmente surgiu a vontade de morrer. Ou de se matar. Enfim, de não existir.
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domingo, 14 de outubro de 2012

"Drown into eyes while they're still blind"


Falarei sobre algo que creio firmemente e que uma música que recentemente descobri me despertou novamente para isso. E isso tudo também me levou a pensar em minha vida. Mas enfim, vamos por partes. 
O que acredito, e que foi, digamos, reacendido por essa música é o fato de que a vida que vivemos aqui é única, insubstituível, e mesmo que por vezes insatisfatória, é a vida que temos pra viver. Com suas dificuldades, facilidades, felicidades, mas principalmente suas tristezas, e é com elas que mais aprendemos. E, além de ter-me re-despertado para este fato, isso tudo me fez lembrar que devemos aproveitar a vida ao seu máximo, viver cada dia como se fosse o único e o último. Como já disse, não quero dizer com isso que devemos fugir de responsabilidades, mas sim aprender a viver mesmo tendo-as. A música em questão é a "While your lips are still red", do Nightwish. Ela fala no refrão que devemos aproveitar o que temos agora, porque isso não voltará, é único. O trecho é o seguinte:


"Beije enquanto seus lábios ainda estão vermelhos

Enquanto eles ainda estão silenciados
Descanse enquanto o peito ainda está intocado, encoberto
Segure a outra mão enquanto a mão ainda não está ocupada
Mergulhe nos olhos enquanto eles ainda estão cegos
Ame enquanto a noite ainda esconde o desanimador amanhecer."

Bem, o trecho explica-se por si só.

O que repensei de minha vida, e por isso me vieram lágrimas aos olhos também, foi que eu tento viver o máximo possível, mas existem coisas que atrapalham que isso seja um desenvolvimento completo, como desentendimento com certas pessoas que são muito caras a mim, mas que parecem cada vez mais se afastar. Também o fato de certas coisas tomarem bastante do meu tempo, sendo que eu poderia estar fazendo outras que poderiam me fazer mais feliz, tornando minha existência mais proveitosa (ou não).
Enfim, toda e qualquer conclusão a que chego é que eu não consigo cumprir aquilo que proponho, inclusive viver realmente. Isso é um tanto triste. Mas tenho que conviver com isso. Ou tentar mudar, não é mesmo?

~*~

Música:
"While your lips are still red", Nightwish.





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quinta-feira, 20 de setembro de 2012

"É só o amor, é só o amor que conhece o que é verdade!"


Ame cada parte de si mesmo como se fosse a mais especial. Você é único no mundo. Cada pequena parte, aquela escondida, defeituosa, feia, não chamativa... ame-a ainda mais. E assim poderá amar o próximo com propriedade, porque entenderá que não só de perfeições, de beleza se constitui um ser humano. Também de falhas, e principalmente delas. Ame, e tudo virá em troca.
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terça-feira, 11 de setembro de 2012

"I'm the last one still waiting for you to lock the door..."

Acredito que seja o mal que atinge toda a civilização: a insatisfação na satisfação total. 
Sim, digo isso porque, não importa o quanto você esteja feliz, você se sentirá mal, de uma forma ou de outra algo acontecerá que te deixará mal.
~*~
Como buscar e sentir falta de algo que você nunca teve? Como sentir que outro sofre sendo que você mesmo nunca sentiu nada disso? Como perceber isso? Que tarefa difícil a de entender o próximo!
~*~
Não sei o que dizer, meu querido, eu realmente não sei. Sem dúvida que meus sentimentos são verdadeiros, tanto ou mais que os seus, mas não sei o que te dizer. Simplesmente há essa vontade de sumir, de desaparecer, que me acomete a todo instante, a todo tempo me atormenta... Que me dera eu não tivesse existido!
~*~
Dizer o que se sente é muito fácil. Difícil é sentir verdadeiramente o que se diz. Não sei ao certo o que pensar. Você está cheio de mim?! Ande, diga-me! Sempre te pedi que me dissesse o que pensa a esse respeito... e sempre disse... enfim...
Só está aqui por minha causa? Não seja por isso, vá pra onde sua felicidade está... Não te quero triste, te quero feliz, como quando te encontrei...
Se quiser, posso desaparecer como apareci. Só não me peça pra não sofrer. Só não me peça pra te esquecer.
~*~
Melhor seria que minhas ilusões e idealizações fossem verdadeiras e eu em 4 dias realmente fosse morrer! Mas sei que nada na vida é como realmente queremos, e nada acontece por acaso... Aprender com isso e seguir em frente? Talvez... Mas o tédio em seus olhos eu nunca esquecerei, e os motivos pelos quais eu sei que você realmente está triste também.
~*~
No fim, tudo de resume a nada. E estou eu cá novamente a pensar nas coisas que sempre pensei: a relação entre minha existência e sua inutilidade.
~*~
Música:
"Out of goodbyes" - Maroon 5 ft. Lady Antebellum.
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quarta-feira, 11 de julho de 2012

"Eu sou o amor da cabeça aos pés!"


Esses dias atrás, fiz um teste sobre que poema do Drummond eu seria.
Meu resultado:


Você é o poema "Amar"
Você é apaixonado. Você ama e ponto. Como um militante do amor, leva o sentimento consigo para onde for. Não tem apenas um amor, tem o amor em você.


AMAR
Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer, amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho,
e uma ave de rapina.
Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor à procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor,
e na secura nossa, amar a água implícita,
e o beijo tácito, e a sede infinita.


~*~
Música:
"Dê um rolê" - Novos Baianos.
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quarta-feira, 6 de junho de 2012

Queen of the Witches


Noite alta. A lua se mostra cor de sangue. Tento forçar-me a manter meu propósito, porém coisas mais fortes que minha vontade me chamam para fora.
Céu revolto em nuvens. Vento frio e suave a soprar. Com certeza choverá. O esforço em me manter no propósito inicial começa a desaparecer. Algo ignoto me chama para fora.
É doce o caminhar até o portão. A lua está já bem alta, vermelha e serena dentre as nuvens apressadas que se mexem no céu.
- É tempo, minha querida... - Ouço a voz suave que me chamava dizer novamente em meu ouvido - É tempo de encontrar sua essência. Vai. E sê feliz.
Caminho confuso este que traço. Saio do portão e, guiada pela direção em que as nuvens correm e revolvem-se, criando novas e destruindo antigas, vou ao local que meu coração - ou este algo desconhecido - me guia.
A mata é densa e fresca. O vento vindo dela é revigorante. As árvores estão posicionadas de uma forma bela e assustadora: assim como parecem formar uma fortaleza que protege de todo mal existente, igualmente parecem sufocar, parecem prender em um labirinto sem fim nem começo determinável.
Uma escada leva à parte baixa. Lá, dentre as árvores, corre um rio perene, de águas realmente muito límpidas e calmas. Dentro, vejo rochas, algumas grandes, outras nem tanto, porém todas brilhantes por conta do reflexo da luz do luar. Um quê de mistério, paixão e desejo me impele a chegar mais perto do rio. Caminho calmamente até meu destino, sentindo o coração batendo, e parece somente ele existir dentro de mim. Todo meu corpo está envolto num tipo de hipnose que me leva àquele lugar - donde, a meu ver e sentir, nunca deveria ter saído.
- Mas quando cheguei aqui? - penso comigo enquanto esta sensação me habita - Por que sinto essas sensações? Nunca vim para estes lados, nem sequer sei como aqui vim parar. Somente segui meu coração. como vim para este lugar que me parece tão familiar, mas ao mesmo tempo me é estranho, me é desconhecido?
Chego à beira do rio. Ajoelho-me perante ele e olho profundamente aquelas águas límpidas. O luar de sangue próximo ao meu reflexo me fascina ainda mais. Já não tenho mais como fugir.
- Já está na hora, minha querida. Você agora deve entender o por quê de todos esses sentimentos confusos dentro de seu ser. Chegue-se mais perto e veja em seu reflexo a sua história. Veja quem realmente você é.
Subitamente uma força me faz mergulhar meu rosto no rio. Tenho falta de ar, estou me debatendo, mas a sensação não é ruim - é de alívio e paz.
De repente, vejo-me correndo dentro daquela floresta. Meus cabelos revolvem-se com o vento. Meu vestido não é o mesmo - é de um tecido leve e visivelmente artesanal, e não é de minha época. Corro para a direção do rio e me vejo sentar à sua beira. Lá, faço desenhos com a terra à minha frente. Após, retiro uma adaga de minha cintura e, num golpe rápido e fulminante corto meu pescoço.
Nesse momento volto a me debater e a sentir muita falta de ar. Então levanto minha cabeça e tento recompor-me e entender o que havia acontecido.
- É isso mesmo que entendi? - pergunto para ninguém, ou para o alguém ou algo que ali me chamara - Era eu aquela mulher de um tempo antigo?
Olho para o céu. As nuvens se revolvem com mais rapidez e ferocidade. O luar de sangue permanece intacto e imóvel. A lua está enorme e hipnotizante.
Como não recebo resposta, desisto de perguntar. Levanto-me e recomeço minha caminhada.
Não há nada que se fazer a não ser ali caminhar, a não ser ali vagar, à espera de alguma resposta a uma pergunta indubitavelmente já respondida.
Sento-me em uma das rochas do rio e fico ali a pensar. O vento revolve meus cabelos e faz um reflexo interessante no rio.
- Era eu. Tenho absoluta certeza - eu digo mirando meu reflexo - Mas quem eu era? E por que fiz aquilo? Se é tempo de saber, quero saber!
Miro o luar. Ele fascina. Hipnotiza. Seduz. E não esclarece absolutamente nenhuma de minhas dúvidas. Eu o miro e ele retribui. Misterioso. Intenso. Assustadoramente belo.


~*~
Música:
"Queen of the Witches" - Thuata de Danann.
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terça-feira, 22 de maio de 2012

Inconstâncias


Se ao menos hoje eu pudesse...
Se ao menos hoje eu conseguisse...
Se ao menos hoje eu tentasse não sentir isso,
Com toda a certeza do mundo que estaria mais feliz.

Tente entender:
sou inconstante.
Posso estar feliz agora e logo depois, muito triste
Tristeza profunda, vinda da alma.

Intenso, sempre muito intenso.
Por que, Deus? Por quê?
Por que eu sinto tanto as coisas, e estas me afetam tanto,
Afetam de modo que todo o meu dia muda por conta delas?

Se ao menos hoje eu pudesse te dizer o que sinto...
Não, eu não direi. Estragaria tudo.
Por que estragaria? A graça está no mistério.

Assim como andar pelas brumas é muito mais atraente
Do que andar pela rua iluminada pelo Sol,
Não dizer o indizível é muito melhor.
Mais misterioso, mais incerto.

Tenho em mim uma dor desconhecida.
Dor essa que não passa
Por mais que tente, não passa.

Tenho em mim todos os sonhos do mundo
E ao mesmo tempo
Todas as desilusões do mundo

Tenho em mim uma vida que se infinda
Mas tenho também a certeza
De que essa vida infinita acabará,
Perecerá feito uma flor 
Que nasce rapidamente, 
E aproveitando de toda sua juventude,
Perece na mesma rapidez.

Amo intensamente tudo que te diz respeito
Mas tenho medo de que seja demais
E seja destrutível.
Sempre é destrutível. Basta estar construído.
Mas já está construído? Tenho medo!

Deus, se eu ao menos pudesse...
Se eu hoje ao menos conseguisse não ser inconstante
Se eu hoje pudesse te dizer tudo livremente,
E depois morresse em seu abraço...

Nada é tão simples assim.
Não para mim.
Peço perdão, meu querido...
E muito querido...

Você já faz parte de mim
Porém, navegar na mesma água profunda que você é díficil,
Mas eu te beijarei, em noites e dias como estes,
E peço aos céus que fiquemos juntos.
E que meu medo feneça,
E que nossas incertezas se tornem as certezas mais certas de todas.

~*~
Música:

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sábado, 21 de abril de 2012

Flor em broto

"A primavera" - Monet.

Como as flores do campo
Nos tempos de primavera,
Desabrocho, abro minhas pétalas 
Em perfume e em formato.

Como era esperado,
Havia a necessidade de água para crescer,
Para desabrochar...

Entenda, eu não quero mais que isso
Não quero desorientações, desaglomerações
Nem esquecimentos repentinos...

Quero, como a flor que a luz ilumina,
Receber visitas de abelhas,
Água da chuva,
Ventos calmos, e também os ventos nem tão calmos

Quero viver contigo, que me cativas,
Me ensinas a viver após um longo período de inverno,
Um período de desesperança,
No qual a flor se dizia morta e esquecida...

Esta flor que vos fala entende agora
Que tudo acontece em sua própria estação
E não questiona mais as razões do inverno...
Ao contrário: as compreende e espera 
Outra primavera ainda mais florida.


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sábado, 24 de março de 2012

Caneta Azul


Faço linhas malfeitas para pessoas que pensam sentir o mesmo que eu. Talvez realmente sintam, não sei. O que sei é que o relógio é demasiadamente lento, e o estado de estar e não estar em um lugar é complexo. Este é o da viagem.
Quando se anda de um ponto a outro, nós estamos no lugar onde estamos, onde estávamos ou onde estaremos? Ou não estamos em nenhum deles?
Por que a hora passa tão devagar? O tempo é subjetivo, então? Sendo subjetivo, um segundo pode durar um minuto e vice-versa, certo? Então, ao mesmo tempo que o tempo existe, ele também não existe. Assim como o espaço, o lugar onde estamos. Ou não. No caso das viagens. E agora?
Se tempo e espaço são subjetivos e circunstanciais, isso significa, implicitamente, que somos nós que determinamos o que estes tempos e lugares significam. Logo, a existência nada mais é do que o que você pensa que ela é. Portanto, a vida tem as cores que você pinta. Ou não tem cor alguma, ou todas, ou uma, ou mil...
Nunca mais deixe-me com caneta e papel. É perigoso. Posso matar, morrer, criar, desmentir, construir e destruir em poucas, mal-traçadas e mal-escritas linhas.

Rod. de Lins - SP,
15/12/11,
12:55.
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quinta-feira, 1 de março de 2012

Rodando a roda rotatória


Tão perto quanto se pode estar
Tão longe quanto se quer estar
Tão insignificante quanto um grão de areia na praia...
Assim me encontro:
Entre eles e eu
Entre mim e o não estar
Não ser, não parecer
Tendo como essência a substância
Inconsistente de que os sonhos são feitos
Tendo como sentimentos
Somente reações afastadas
De todo e qualquer ser humano
Eu sou uma ilha
Sinto sozinha
Incomodo-me com o cômodo
E o incômodo me fascina

A compreensão tornou-se dúbia
E incompreensível - 
Ou compreensível até demais,
E por isso complexa.

É possível? Vá lá e faça
É impossível? Ache um meio de possível tornar-se

Por quê?
Por que eu sinto tanto
Por pessoas que igualmente
Sentem tanto,
Porém não por mim?
É mais fácil amar sozinha...
... não é?

Muito mais que atração
Mais que repulsão
Mais que as razões magnéticas
Cinemáticas, elétricas, enfim,
físicas, eu te amo.
Amor firmado na proximidade da distância entre dois computadores,
Entre duas distâncias tão próximas
Que quase podem ser tocadas mutuamente

Distância
É um fator pessoal, subjetivo,
Intrinsecamente definido pela substância de cada ser. Ou do não ser, sendo.

O que mais?
O que mais se pode dizer?
Nada.
Nada é tudo que me resta.
O meu tudo é constituído de nada
Meu maior companheiro é a solidão
E não tenho pena de mim.

Rodoviária de Lins/SP.
15/12/2011.
12:45.


~*~
Música:
"Memories" - Within Temptation.

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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Alguém que costumava conhecer...


Tudo seria muito mais fácil se pudéssemos esquecer completamente certas pessoas que marcam por demais nossas vidas, como no filme "Brilho eterno de uma mente sem lembranças". Às vezes até conseguimos, mas como no filme, as lembranças sempre voltam, de uma forma ou de outra. Principalmente quando essas pessoas nos marcam profundamente.
~~
Ela olhava fixamente para a janela de seu quarto. Escrevia. Lia. Ria. Fazia tudo que uma pessoa normalmente faz para se distrair num dia chuvoso.
Ela via os pingos de chuva caindo lentamente, caíam conforme a música que ela ouvia. Mais uma das suas favoritas... De uma banda de rock, talvez. Ela pensava em tudo que vivera, tudo que conhecera recentemente.
Ela realmente aprendeu algo com aquilo? Ela realmente cresceu? Realmente esqueceu aquele que um dia encheu seus dias de vida, suas noites de sonhos e suas tardes de pores-de-sol mais bonitos, vibrantes?
Ela pensava nisso... Achava que não, que ainda gostava dele no fundo. Mas ela entendia uma coisa: ele não era mais tão importante pra ela naquele momento. Como assim? Ela não precisava mais tanto dele pra se libertar, toda a liberdade de que ela precisava, ela alcançara - ou boa parte dela. Ela estava feliz, sozinha, porém, não solitária. Dançava, cantava, ria, divertia-se com os amigos... Nada a abalava. É certo que, pela sua natureza sentimental, vez ou outra ela se sentia um tanto o quanto só. Mas isso não superava sua felicidade, ao menos, momentânea.
Voltou a pensar nele. O que realmente ele era, agora pra ela?
...
Ela escrevia em seu caderno de notas. Notas que talvez depois pudessem se tornar poemas ou, quiçá, pequenos textos. Não conseguia chegar a nenhuma conclusão a não ser que ele se tornara somente alguém que ela costumava conhecer, que agora ela não conhece realmente, ou nunca conheceu - só pensava conhecer.
- Isso é triste... - ela disse, após um longo suspiro - Pensei que você era importante pra mim. Pensei que te conhecia como conheço a palma da minha mão. Mas vi que estava errada. E não era pra ser. Talvez nunca seja. Mas isso que senti não morrerá tão cedo, talvez nunca morra. E quando eu te encontrar, quero ter a força pra dizer que agora você é só alguém muito querido que eu costumava conhecer, ou melhor, pensava conhecer. E saiba que eu devo muito a você, mas não mais do que a mim mesma.
Dizendo isso, ela fechou seu caderno e saiu. Foi à varanda. Colocou mas mãos para fora, depois os pés, as pernas, e enfim o corpo inteiro... Tomava chuva, imaginando que com ela, todos os seus problemas eram lavados, retirados de seu corpo e levados para o chão, para longe, enfim... Imaginava uma renovação real.

~*~

Música:
"Somebody that I used to know" - Gotye feat. Kimbra.
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domingo, 15 de janeiro de 2012

Inominável pulso gigantesco

Tem uma coisa dentro de mim... Algo maior que eu, mais forte. Tem um quê de alegria e um quê de tristeza. 
É mais rápido que meus pensamentos e menos enérgico que meus sentimentos. 
Essa coisa, seja lá qual ela for, sempre me diz o que fazer. Se não, ao menos, dá dicas do que fazer, do que pensar, do que sentir... Isso comanda meu viver. Impressionantemente me afeta mais do que qualquer outra coisa - mais que elogios, mais que erros, mais que xingamentos, mais que tudo.
Bem, eu não sei o que é isso. Só sei que pode estar localizado no centro do meu peito, entre minhas costelas, entre meus pulmões. Pode ser que pulse, porém não de maneira constante. Infelizmente, ele acelera e desacelera de acordo com os eventos vividos.
Ao certo você já percebeu o que é isso que habita o meu ser. Eu não sou feliz por isso ter o poder que tem. Seria bem mais fácil se pudesse retirá-lo quando pudesse, se pudesse expulsá-lo a mil pontapés. Mas não funciona assim. Nada na vida funciona desta maneira. Afinal, eu não sei o que realmente é isso. Se é isso mesmo o que gostaria de expulsar...
Por fim, sei só que isso por diversas vezes me faz rir, me faz chorar, e no momento me faz querer morrer. Sim, exatamente isso. Isso está me levando a crer que minha existência é insignificante a qualquer pessoa viva. Aliás, às pessoas vivas que deveriam se importar, porém, ou não se importam, ou disfarçam muito bem que não se importam.
Gostaria que vocês, pessoas que não se importam, entedessem que isso dentro de mim existe. Que eu existo. Que eu sou uma pessoa, sou um ser vivo com olhos, boca, nariz, orelhas, braços, barriga, peitos, umbigo, calcanhares, dedos mindinhos e isso dentro de cada ser humano. Isso que pulsa. Isso que não ouso citar o nome.
Eu amo vocês. Ou amava. Ou não sei mais o que sinto. Provavelmente é isso. Porém, quero que saibam disso: isso dentro de mim está cansado de viver em mentiras. Sejam de verdade, como isso dentro de mim é. Por favor. Eu pereço. Eu morro. Eu apodreço a cada dia. Por favor.

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sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Motivo de existência


Mas eu possuo essa melodia presa na garganta,
Esse canto preso em meu peito. 
 
Sinto que se não liberá-lo, poderei explodir,
evacuar meu ser em meio a esse caos de som e luz que é o Universo.

Mas esse canto... esse som... esse meio...
 
E, no fim, se há um motivo para sorrir nesta vida,
E se pudesse dizer somente um,
Diria este:
Há música!

~*~
Música:
"Cliquot" - Beirut.
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